leitura

O que faz um profissional de Relações Internacionais além da diplomacia?

por Natasha Ferreira Lopes

Imagine uma empresa capixaba que exporta rochas naturais para os Estados Unidos. De repente, uma mudança nas tarifas comerciais aumenta os custos das operações e ameaça a competitividade do negócio. Como entender o que está acontecendo e quais decisões podem ajudar a empresa a enfrentar esse cenário?

Uma das respostas pode estar no trabalho de um profissional de Relações Internacionais. Ele analisa acontecimentos políticos e econômicos, acompanha decisões de governos, identifica riscos e oportunidades e ajuda organizações a definir estratégias em um cenário global cada vez mais conectado.

Quando se fala nessa profissão, é comum pensar na diplomacia e na representação do Brasil em outros países. Mas essa é apenas uma das possibilidades de carreira. O internacionalista, como também é chamado, pode trabalhar em empresas, órgãos públicos, consultorias, organizações humanitárias e centros de pesquisa.

Segundo Daniel Carvalho, coordenador do curso de Relações Internacionais UVV, o diferencial dessa formação está na capacidade de compreender como decisões tomadas em diferentes partes do mundo produzem consequências para governos, empresas e pessoas.

Onde um profissional de Relações Internacionais pode trabalhar?

Se você imagina que precisa seguir a carreira diplomática para trabalhar com Relações Internacionais, vale conhecer outras possibilidades. A formação permite construir trajetórias em diferentes setores, de acordo com os interesses e as experiências de cada profissional.

Comércio exterior e negócios internacionais

Empresas que importam ou exportam produtos precisam acompanhar mercados estrangeiros, negociar com parceiros de outros países e entender regras comerciais. O internacionalista pode ajudar nessas atividades, além de pesquisar oportunidades de expansão e avaliar riscos relacionados a tarifas, fornecedores e mudanças econômicas.

No Espírito Santo, setores como café, rochas naturais, siderurgia, celulose e energia mantêm relações com mercados internacionais. Esse cenário abre possibilidades para profissionais que compreendem o funcionamento do comércio global e sabem analisar seus impactos nos negócios.

Empresas multinacionais e consultorias

Uma empresa que deseja entrar em um novo mercado precisa entender as condições políticas, econômicas e regulatórias daquele país. O internacionalista pode pesquisar o ambiente de negócios, analisar concorrentes, identificar riscos e contribuir para o planejamento da expansão.

Em consultorias, também pode produzir análises estratégicas para organizações que precisam tomar decisões com base em acontecimentos internacionais.

Análise de riscos geopolíticos

Conflitos, eleições, sanções econômicas e mudanças nas relações entre países podem afetar investimentos, cadeias de produção e operações comerciais.

Nessa área, o profissional acompanha esses acontecimentos e avalia suas possíveis consequências. O objetivo é ajudar empresas e instituições a antecipar cenários, identificar vulnerabilidades e planejar alternativas.

Organizações internacionais e terceiro setor

Quem se interessa por direitos humanos, migrações, sustentabilidade e desenvolvimento também encontra possibilidades de atuação em organizações não governamentais, instituições humanitárias e organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).

Nesses espaços, o internacionalista pode participar de projetos de cooperação, iniciativas de acolhimento a migrantes e refugiados, pesquisas e ações voltadas a desafios sociais que ultrapassam fronteiras.

E no serviço público? Existem opções além da diplomacia

A carreira diplomática é uma possibilidade conhecida, mas não é a única porta de entrada para o setor público.

O internacionalista também pode buscar concursos para carreiras como Oficial de Chancelaria, no Ministério das Relações Exteriores, e Oficial de Inteligência, na Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Conforme os requisitos de cada edital, também pode concorrer a vagas em áreas como comércio exterior, gestão governamental e formulação de políticas públicas.

Outra possibilidade é trabalhar com relações governamentais e cooperação entre países, estados e municípios. Governos estaduais e prefeituras, por exemplo, podem desenvolver parcerias com instituições estrangeiras, buscar investimentos e participar de redes internacionais voltadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento econômico.

Nesses casos, o profissional contribui para aproximar instituições, identificar oportunidades de cooperação e compreender como experiências de outros lugares podem inspirar soluções locais.

É importante lembrar que cada carreira pública tem seus próprios requisitos de formação e ingresso. Por isso, quem deseja seguir esse caminho precisa acompanhar os editais e verificar as exigências de cada concurso.

O que um internacionalista faz na prática?

Imagine que uma empresa queira começar a vender seus produtos em outro país. Antes de tomar essa decisão, ela precisa entender se existe demanda, quais são as exigências para entrar naquele mercado, como funcionam as tarifas e quais riscos podem afetar a operação.

O profissional de Relações Internacionais pode pesquisar essas informações, acompanhar mudanças nas regras comerciais, avaliar o cenário político e econômico e apresentar alternativas para a empresa.

Em outra situação, uma organização pode precisar desenvolver um projeto de acolhimento a refugiados. Nesse caso, o internacionalista pode contribuir com pesquisas, articulação entre instituições e análise de políticas públicas relacionadas à migração.

As atividades mudam conforme o setor, mas existe um ponto em comum: a capacidade de interpretar cenários complexos e transformar informações em análises que ajudem na tomada de decisões.

Quais habilidades são necessárias para seguir essa carreira?

Gostar de história, política e atualidades pode ser um bom começo, mas a profissão exige outras competências. O internacionalista precisa analisar informações de diferentes fontes, compreender pontos de vista distintos e avaliar as possíveis consequências de acontecimentos internacionais.

A comunicação e a negociação também fazem parte da rotina, assim como o domínio de idiomas estrangeiros, especialmente o inglês. A capacidade de elaborar relatórios, interpretar dados, construir cenários e apresentar ideias com clareza pode fazer diferença em processos seletivos e no trabalho cotidiano.

Outro aspecto é a disposição para aprender continuamente. Relações entre países, regras comerciais e cenários políticos mudam, e o profissional precisa acompanhar essas transformações para oferecer análises relevantes.

Como a graduação em Relações Internacionais prepara para o mercado?

Na graduação, o estudante entra em contato com diferentes áreas do conhecimento, como política, economia, história, direito internacional, comércio exterior e negociações. Essa formação ajuda a compreender os acontecimentos mundiais por diferentes perspectivas e a avaliar seus efeitos sobre empresas, governos e sociedades.

Na UVV, os alunos também têm oportunidades de aproximar os conhecimentos acadêmicos de situações concretas.

O NAPRI Harpia UVV é uma iniciativa dedicada à análise de questões internacionais, riscos e cenários. Já o Núcleo de Apoio aos Refugiados no Espírito Santo (NUARES) desenvolve ações de acolhimento e integração de refugiados e migrantes, com atividades relacionadas a direitos humanos, migrações e políticas públicas.

Outra experiência é o Manobrão das Relações Internacionais, atividade interdisciplinar na qual os estudantes trabalham em equipes para analisar problemas e propor soluções. Em uma das propostas do segundo semestre de 2026, por exemplo, os alunos desenvolvem um dossiê estratégico sobre os impactos das tarifas comerciais dos Estados Unidos nas exportações brasileiras de rochas naturais, com acompanhamento de uma empresa afetada pelo cenário.

Experiências como essas permitem exercitar a pesquisa, a análise de conjuntura, a negociação e a apresentação de propostas, competências que podem ser úteis em diferentes áreas profissionais.

“Nosso objetivo é formar profissionais que não apenas compreendam o mundo, mas que saibam atuar sobre ele”, afirma Daniel Carvalho, coordenador do curso de Relações Internacionais UVV.

Como começar a construir sua carreira durante a Universidade?

Não é necessário esperar a formatura para explorar as possibilidades da profissão. Participar de projetos de pesquisa e extensão, buscar estágios, desenvolver o domínio de idiomas e acompanhar debates sobre economia e política internacional são formas de começar a construir experiência.

Também vale produzir análises de mercados, relatórios sobre riscos geopolíticos e trabalhos acadêmicos que demonstrem sua capacidade de pesquisar e interpretar cenários. Essas experiências podem ajudar a apresentar suas habilidades a futuros empregadores.

Outra dica é ampliar a busca por oportunidades. Nem toda vaga adequada a um internacionalista traz o nome do curso no título. Áreas como inteligência de mercado, comércio exterior, compras internacionais, relações institucionais e análise de riscos também podem oferecer caminhos profissionais.

A escolha de uma área de interesse pode acontecer durante a graduação, conforme o estudante conhece diferentes possibilidades e descobre quais atividades combinam mais com seu perfil.

Relações Internacionais pode ser o seu próximo passo?

Se você gosta de entender por que os países tomam determinadas decisões, tem curiosidade sobre outras culturas e quer compreender como acontecimentos globais afetam a economia, a política e a sociedade, Relações Internacionais UVV pode ser uma graduação para conhecer melhor.

A diplomacia continua sendo uma possibilidade, mas está longe de ser a única. Do comércio exterior à análise de riscos, da cooperação internacional à gestão pública, existem diferentes caminhos para quem deseja trabalhar com questões que conectam o Brasil ao mundo.

Como resume Daniel Carvalho, “o profissional de Relações Internacionais precisa compreender o mundo, mas também saber o que fazer com esse conhecimento”.

Acesse uvv.br e conheça o curso de Relações Internacionais UVV.

 

Tags: Ensino Superior, Relações Internacionais UVV

Receba os melhores conteúdos da UVV no seu e-mail