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Entenda os impactos do uso excessivo do celular na infância e adolescência

por Natasha Ferreira Lopes

Você já se pegou rolando a tela do celular sem perceber o tempo passar? Entre notificações e vídeos curtos que prendem a atenção, esse excesso de estímulos rápidos afeta o funcionamento do cérebro, a concentração e o desenvolvimento emocional. Quando o assunto envolve crianças e adolescentes, o sinal de alerta é ainda maior, já que eles estão em fase de formação e cada vez mais imersos nesse universo digital.

Para ajudar a entender os impactos do uso excessivo do celular, o professor Rodrigo Cruvinel Salgado e a coordenadora de Psicologia da Universidade Vila Velha (UVV), Hildicéia dos Santos Affonso, explicam como os estímulos rápidos afetam o cérebro e o comportamento.

A grande quantidade de estímulos nas redes sociais prejudica tanto a parte cognitiva quanto a emocional. No caso dos chamados estímulos rápidos, o principal problema está na imprevisibilidade do prazer. Ao usar esse tipo de plataforma, a pessoa rola vídeos sem saber quando aparecerá um conteúdo de que realmente goste. Essa incerteza faz com que o cérebro queira continuar procurando, o que leva o indivíduo a passar cada vez mais tempo na tela, em um mecanismo semelhante ao dos jogos de azar.

E quais são os malefícios desse comportamento? O excesso de tempo no celular pode favorecer dificuldades de concentração e aprendizado, já que aprender e se concentrar exigem atenção, esforço e persistência.

“Se olharmos em retrospecto, há cerca de 80 anos a maioria das crianças precisava fazer seus próprios brinquedos. Isso exigia atenção e persistência, além do esforço de fazer e refazer, e proporcionava alegria com o próprio sucesso. Com o tempo, o divertimento infantil passou a ser entregue de forma cada vez mais pronta e mais estimulante, o que acabou gerando passividade e uma menor capacidade de persistir”, afirmam os docentes.

Os adultos também estão sujeitos a esse problema. No entanto, quando a exposição acontece de forma diária na infância, a preocupação é ainda maior. Isso porque essas condições atuam sobre um sistema nervoso que ainda está em desenvolvimento, mais sensível às experiências do ambiente e no qual os efeitos podem deixar marcas mais profundas.

Alguns sinais ajudam a perceber quando o uso da tecnologia começa a sair do equilíbrio. O primeiro deles é o tempo dedicado à tela, são poucos minutos ou horas seguidas no celular? A frequência também é um ponto de atenção, especialmente quando esse uso acontece todos os dias.

Outro sinal mais preocupante aparece nas emoções. O adolescente parece mais animado, espontâneo ou expressivo apenas quando está jogando ou nas redes sociais, mas fora desse ambiente se mostra calado e sem emoção? Também é importante observar quando atividades naturais, como comer, dormir ou se relacionar, passam a ser trocadas pelas experiências virtuais.

Para começar, os adultos precisam se convencer de que criança não precisa ter celular e que isso deve ser evitado pelo maior tempo possível. Essa é uma discussão urgente, já que, a longo prazo, esse comportamento pode comprometer o bom funcionamento da sociedade.

“Em alguns países, o celular começa a ser tratado de forma semelhante ao automóvel, exigindo uma autorização legal para seu uso apenas a partir de uma idade específica”, completam Rodrigo Cruvinel Salgado e Hildicéia dos Santos Affonso.

Além disso, os pais precisam criar mais momentos de afeto e companheirismo com os filhos. Muitas vezes, uma simples caminhada até apadaria, uma conversa ou até mesmo brincadeiras são muito mais atrativas do que uma tela. No entanto, isso exige tempo e dedicação. Por conveniência, o celular acaba sendo oferecido com facilidade, e os efeitos dessa escolha já começam a aparecer.

Tags: UVV, Ensino Superior, Psicologia UVV

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